Muitas vezes, o diagnóstico e tratamento de condições como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TEA (Transtorno do Espectro Autista) baseiam-se quase exclusivamente na observação clínica e em relatos comportamentais. Embora essenciais, essas ferramentas às vezes deixam perguntas sem resposta: "Será que essa falta de foco é distração ou ansiedade excessiva?" ou "O quanto o ambiente está impactando fisicamente o sistema nervoso desta criança?"
É aqui que entra a Neurometria. Imagine poder "ver" em tempo real como o corpo e o cérebro estão reagindo a estímulos, estresse e relaxamento. Não se trata de adivinhar, mas de medir.
O que é Neurometria?
A neurometria é uma tecnologia avançada e não invasiva que realiza um mapeamento funcional do sistema nervoso autônomo. Através de sensores colocados (geralmente nos dedos ou orelhas), captamos sinais fisiológicos que o corpo emite constantemente, mas que passam despercebidos a olho nu.
Esses sensores medem indicadores como:
- Temperatura periférica: Indica níveis de estresse ou relaxamento.
- Condutância da pele (Sudorese): Revela a ativação emocional imediata.
- Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC): Um dos marcadores mais importantes de resiliência e saúde mental.
"Com a neurometria, saímos do campo do 'eu acho' e entramos no campo do 'eu vejo'. É dar voz ao que o corpo da pessoa neurodivergente está gritando, mas nem sempre consegue verbalizar."
Por que é revolucionário para Neurodivergentes?
Para pessoas neurodivergentes, o sistema nervoso opera de forma única. A neurometria permite identificar padrões específicos que direcionam o tratamento com precisão cirúrgica:
1. No TDAH: Diferenciando Ansiedade de Desatenção
Nem todo caso de "falta de foco" tem a mesma origem. A neurometria pode nos mostrar se o cérebro está com baixa ativação (comum no TDAH clássico) ou se está hiperativado por ansiedade. Se tratarmos ansiedade com estimulantes, podemos piorar o quadro. O exame nos guia para a escolha correta.
2. No Autismo: A "Dor" Invisível
Muitas pessoas no espectro sofrem com desregulação sensorial. Elas podem parecer calmas por fora, mas seus sensores internos mostram um sistema nervoso em "alerta vermelho". Ao identificar isso, podemos adaptar o ambiente e as terapias para reduzir esse sofrimento silencioso antes que ele vire uma crise (meltdown).
Além do Diagnóstico: Biofeedback
A neurometria não serve apenas para avaliar, mas também para tratar. Utilizamos softwares de treinamento onde o paciente aprende a controlar suas próprias reações fisiológicas (como baixar a frequência cardíaca ou aumentar o foco) vendo o resultado em uma tela de computador, em forma de jogos ou gráficos.
Conclusão
A tecnologia não substitui o olhar humano, ela o amplia. Ao unir a neuropsicologia clássica com a precisão da neurometria, oferecemos aos pacientes neurodivergentes um caminho de autoconhecimento profundo e validação científica de suas experiências.